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Cláudio César Magalhães Martins

Titular da Cadeira nº 11

P O L Í T I C A 

            Pode parecer estranho aos membros da AILCA a abordagem deste tema que, à primeira vista, contraria o item 3 do estatuto da Entidade. Contudo, o que pretendo aqui é abordar o tema “Política” não do ponto de vista político-ideológico, mas sob o aspecto de sua importância para cada um de nós.

             O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado.

Por extensão, poderia significar tanto cidade-estado quanto sociedadecomunidadecoletividade e outras definições referentes à vida urbana.

O livro de Platão traduzido como "A República" é, no original, intitulado "Πολιτεία" (Politeía).

            Bertolt Brecht, o grande dramaturgo alemão da primeira metade do século XX, classificou o analfabeto político como alienado e imbecil. Segundo ele, as decisões políticas afetam a todos, qualquer que seja a classe social a que pertençam. Vale transcrever um texto de sua autoria sobre quem não se liga na política:

“Não sabe o imbecil que da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

No Brasil hodierno, a política transformou-se de “uma arte de bem governar” em arte de se aproveitar do setor público para enriquecer e obter privilégios. Obviamente, existem exceções. Entretanto, a percepção que se tem dos políticos atuais é de que, em sua maioria, se enquadram na categoria descrita por Brecht.

Nos últimos 25 anos, tivemos o impeachment de um presidente e de uma presidenta da República. No momento, temos um ex-presidente preso por corrupção. Inúmeros são os casos de políticos processados por desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Como se não bastasse, recusam-se a promover uma necessária reforma política que trouxesse esperança de melhores dias ao sofrido povo brasileiro.

Aproximam-se as eleições de outubro. Eis aí uma grande oportunidade de colocar a política nos seus verdadeiros trilhos. A população brasileira (sobretudo o segmento mais esclarecido) parece ter acordado para os malefícios provocados pela corrupção. Resta-nos a esperança de que, a partir do próximo ano, o Brasil tome novos rumos e respire ares mais saudáveis do ponto de vista político.

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