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Abílio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

Emenda Parlamentar: Um ralo, uma vergonha

 

Os senhores já presenciaram a maneira voraz com que cães famintos disputam um pedaço de carne?

Pois é mais ou menos o que ocorre com a maioria dos nossos deputados, sejam estaduais ou federais, brigando por um pedaço do bolo do orçamento. É uma indecência!

A impunidade e a ineficiência dos órgãos fiscalizadores contribuem, sobremodo, para a prática horrenda desses parlamentares famulentos. Ainda: Essas emendas parlamentares são concedidas, na maioria, sem nenhum critério, sem um projeto sério que a justifique.  São, na verdade, uma “dádiva” para corruptos e corruptores.

Lembram-se dos “Anões do Orçamento”, “Quadrilha das Ambulâncias”, e dezenas de outros escândalos?  São alguns dos crimes perpetrados por essas quadrilhas transvestidas de parlamentares. É o nosso dinheiro se esvaindo pelo ralo.

Geralmente essa prática abominável tem por finalidade captar apoio político, beneficiando o município A, B ou C, na construção de uma “Ponte Molhada”, um “Ginásio Coberto”, a reforma de uma praça, etc

O recurso, quando aprovado, antes de chegar ao destino é, de praxe, rateado percentualmente com aqueles que “contribuíram para o seu êxito”. Um percentual para o deputado X (Federal), outro para o deputado y (estadual) e só depois chega ao destino. Geralmente, o cofre municipal.

Aí vem o pior. Quando a obra é realizada, pois nem isso às vezes acontece, o seu custo não ultrapassa, sequer, a metade recebida. Ela é superfaturada, de péssima qualidade e descartável.

Chega, por fim, o dia da inauguração.  Ah! É só festa!

São convidados aqueles parlamentares que contribuíram com “relevantes serviços prestados ao município”, contrata-se uma banda, superfaturada, claro, e vamos para a praça.

Num palco gigantesco, repleto de políticos e pelegos e, após os incansáveis e demagógicos discursos, o povo induzido e ignorante grita delirantemente: Viva!  Viva!    

Depois do “teatro” retiram-se os “atores” para a comemoração.

Uísque, churrasco, risos...

É, infelizmente, a realidade da nossa política e dos nossos políticos. Até quando? Não sabemos. Depende da nossa consciência política.

 

Abílio, maio de 2006.

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