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Abílio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

Cotas  raciais

 

Sobre o tema a discorrer reconheço, de pronto, não ser o dono da verdade, inclusive por ser matéria já decidida pela Corte Suprema da Justiça, mas compartilho com uns, contrariando a outros, a polêmica decisão sobre as cotas raciais para negros nas universidades. 

Reconheço ser uma hipocrisia afirmar que não existe, no Brasil, o preconceito entre as raças. Existe sim, ainda que de forma velada.

Mas, a aprovação desse projeto, creio, oficializa-se, neste país, a discriminação racial.  Ademais, essa cisão poderá ser um perigoso passo rumo ao xingamento e desrespeito entre alunos, no campus universitário.

Em alguns países em que os governos adotaram essa condição, mesmo com as mais sólidas justificativas, ocorreram inimagináveis conflitos. impressionantes

Os causídicos defensores dessa lei, talvez para apagar a chaga da escravidão, afirmam que a exclusão é perversa, pois, num país em que 45% da população é negra, apenas 2% destes estão nas universidades.

Infelizmente é uma vergonhosa realidade, mas que não abona a inserção do negro no ensino superior, sem que este seja aprovado num vestibular igualitário, cumprindo o critério basilar da competição intelectual. Ademais, uma pergunta: e o contingente de brancos pobres? Como justificar uma política de avanço "racial" que deixa para trás estes excluídos, afrontando literalmente o princípio basilar da isonomia?

O que existe de fato é que dos 20 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, 70% são negros. E estes não têm acesso ao ensino superior porque o Estado, responsável maior, não os privilegia com um ensino de qualidade e digno. Oferece escolas deficientes e arruinadas. Esta é a verdade.

Face ao exposto, é fácil, muito fácil entender o por que da atitude demagógica e irresponsável do governo. Ele quer, em detrimento da qualidade do ensino, eximir-se dessa responsabilidade constitucional, jogando para debaixo do tapete o problema sério da educação no país.

Por fim, quero acrescentar e deixar claro, que o Estado brasileiro tem uma grande dívida social e moral, para com os nossos irmãos negros e indígenas.

Aqueles carecem de educação, trabalho e estudo de qualidade; estes, os nossos precursores nativos, merecem respeito, dignidade e terra para as suas sobrevivências, sem, contudo, a aquiescência paternalista da imensidão de terras improdutivas onde vivem, denominadas de “nações indígenas”. Um prato preferido para grileiros e invasores estrangeiros. Amanhã poderemos chorar as suas consequências.

Entendo as discordâncias, mas é o meu ponto de vista

 

Abilio, 20 jun 2008

 

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