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Abílio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

Menos veículos, mais qualidade de vida 

Em 2011 escrevi o artigo “Calçadas”.

Hoje, permito-me mencionar outras observações cabíveis e correlatas àquele artigo e que os nossos gestores municipais deveriam atentar-se visando o bem comum da população.

O foco principal deste artigo tem como escopo a priorização do pedestre, em detrimento do carro. Restringir o acesso desvairado de veículos nas ruas e estacionamentos, cedendo lugares para bolsões exclusivos para pedestres, nascendo, assim, uma revolução da mobilidade urbana.

Soluções existem. Se cumpridas, teríamos, a médio prazo, uma cidade saudável e alegre.

Vamos exemplificar a nossa querida Fortaleza, com seus quase dois milhões e meio de habitantes.

A frota de veículos de Fortaleza cresceu nos últimos cinco anos 41,6%, enquanto a população teve um acréscimo de 5,7%. Portanto, 8 vezes mais que o crescimento populacional. É, segundo as estatísticas, a capital nordestina com a maior frota de veículos.

É progresso? Absolutamente, não.

Gestores públicos chegaram à conclusão que as cidades funcionarão melhor quando houver menos carros nas ruas.

É fato que em determinadas tomadas de decisões, necessário se faz um remédio amargo para devolver ao paciente a sua qualidade de vida.

Abaixo, algumas sugestões que visam, s.m.j, amenizar o caótico trânsito e, em contrapartida, dar mais qualidade de vida ao pedestre.

  1. Diminuir as vagas gratuitas nas ruas. Estas acabam servindo como subsídio ao transporte individual;
  2. Restringir o número de estacionamentos, devolvendo ao cidadão mais espaços para moradia, escolas e parques;
  3. Construir edifícios-garagem em zonas densas da cidade;
  4. Enlarguecer as calçadas, tornando-as acessíveis para idosos, crianças e portadores de deficiência física.
  5. Cobrar pedágios nas áreas mais congestionadas, com exceção para os transportes públicos e de utilidade pública.

Observação: Algumas cidades europeias e asiáticas, há anos cobram pedágios urbanos para veículos circularem pelas regiões centrais.

Na minha ótica, portanto, faz cada vez mais sentido a restrição do uso do carro próprio, considerando que os veículos para uso individual ficam de 80 a 95% do tempo estacionados nas garagens, e, principalmente, agora, com o advento dos homes offices (escritórios em casa), modelo crescente que vem sendo adotado em razão da globalização da economia e o aumento da terceirização de serviços. Some-se, ainda, o crescimento geométrico de ciclovias e de carros particulares compartilhados, oferecendo ao usuário um transporte barato, prático, confortável e eficiente.

Sabemos, por fim, que o carro eventualmente melhora a nossa mobilidade individual, mas, sem dúvida, gera um atraso na mobilidade coletiva.

Portanto, tais medidas, colocadas em prática, devolveriam as cidades e aos cidadãos melhor qualidade de vida, nascendo, naturalmente, uma cultura saudável da mobilidade urbana.

 

Abílio, fev 2018.

 

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