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Titular da Cadeira nº 11

TRINTA ANOS SEM CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 

            No dia 17.08.17 completaram-se 30 anos da morte de Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros do século XX.

            Nascido em Itabira (MG) em 31 de outubro de 1902, Drummond, após atuar como professor de Português e Geografia em sua terra natal e como redator do Diário de Minas, em Belo Horizonte, publicou, em 1930, o livro “Alguma Poesia”, no qual escreveu o “Poema de Sete Faces”, que se tornaria um de seus poemas mais conhecidos.

            Em 1934, muda-se para o Rio de Janeiro, onde assume a Chefia de Gabinete do Ministério da Educação, ocupado, então, por Gustavo Capanema. Seu primeiro livro em prosa, intitulado “Confissões de Minas”, veio a lume em 1942. No período de 1945 a 1962, foi funcionário do Serviço Histórico e Artístico Nacional.

            Em 1946, foi premiado pela Sociedade Felipe de Oliveira pelo conjunto da obra.

            O Modernismo exerceu grande influência na obra do poeta. Seu estilo poético era permeado por ironia, observações do cotidiano, de pessimismo e humor. Drummond era mestre em produzir “retratos existenciais”. Também foi tradutor de grandes autores, como Balzac, Frederico Garcia Lorca e Moliére. Em sua poesia, a indignação com a injustiça social convive com o profundo lirismo, o senso de humor e a emoção contida.

            Um de seus poemas mais conhecidos – “E agora, José ?”- tornou-se popular e é recitado em diversas ocasiões. O crítico literário Otto Maria Carpeaux denominou-o “poeta público” pela universalidade e profundidade de sua obra, que foi traduzida para mais de uma dezena de idiomas.

            Em 1975, recebeu o Prêmio Nacional Walmap de Literatura e recusou, por problema de consciência, o Prêmio Brasília de Literatura. Em 1983, recusou, pela mesma razão, o Troféu Juca Pato.

            Em 1987, a Estação Primeira de Mangueira homenageou o poeta com o samba-enredo “No Reino das Palavras”, que foi o vencedor do Carnaval carioca daquele ano.

            No mesmo ano, após dois meses de internação, faleceu sua única filha, Maria Julieta, vítima de câncer. O golpe foi fatal para Drummond, que veio a falecer 12 dias depois, no dia 17 de agosto de 1987.

            Abaixo, algumas de suas obras: Alguma Poesia (1930), A Rosa do Povo (1945),

Antologia Poética (1962), Lição de Coisas (1964), As Impurezas do Branco (1973), Vida Passada a Limpo (1964) e Farewell (1996), ganhador do Prêmio Jabuti.

            Por sua obra, vasta e de qualidade, certamente Carlos Drummond tenha merecido ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Mas, como escreveu em Português, deixou de ganha-lo, a exemplo de vários escritores brasileiros que hoje honram as nossas letras.

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