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Titular da Cadeira nº 11

AS MÁS COMPANHIAS

            No passado, era comum ouvirmos de nossos pais e mestres a admoestação de que devíamos evitar as más companhias.

            Por más companhias entenda-se aquelas pessoas portadoras de algum vício ou de ideias e ações contrárias à moral e aos bons costumes.

            Hoje o termo parece ter caído em desuso. Entretanto, as más companhias continuam existindo. Quantos não sucumbiram ao destrutivo vício das drogas por influência de algum viciado... Quantos não trocaram um estilo de vida sóbrio e honesto por noitadas nocivas e por conquistas duvidosas que terminam conduzindo-os a situações de ruína e desespero...

            No meio político, a influência de pessoas destituídas de qualquer princípio moral e ético é deveras palpável. Não raro, políticos novatos bem intencionados tornam-se corruptos por colegas contaminados pelo vírus da corrupção.

            É impossível acreditar que um ex-presidente da República, cujos principais colaboradores estão presos ou respondem a processos por recebimento de propinas e lavagem de dinheiro, não esteja envolvido com os mesmos delitos. O mesmo vale para o atual presidente, que tem um ex-ministro e um ex-assessor especial presos por crimes de corrupção. Além disso, dois de seus principais ministros são acusados de receber propinas da empresa Odebrecht

            Um adágio popular, sobejamente conhecido, reza: “Dize-me com quem andas e te direi quem és.” A experiência de vida mostra que semelhantes atraem semelhantes.

            Quase diariamente, vejo nos programas policiais mães de filhos assassinados pelos traficantes de drogas lamentarem que, se tivessem ouvido seus conselhos, afastando-se da companhia dos referidos infratores, teriam preservado suas vidas.

            Em suma, as más companhias têm evidenciado, ao longo da História, sua influência deletéria naqueles que se deixam levar por suas palavras e atitudes. Cumpre, pois, evitar amizade com aqueles que pautam sua conduta por posturas antiéticas e destituídas de moralidade. Somente assim poderão manter a dignidade e credibilidade que constituem apanágios de todo cidadão de bem.

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