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Titular da Cadeira nº 11

GANÂNCIA DESMEDIDA 

Ao condenar o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, a catorze anos e dois meses de detenção, em junho próximo passado, o juiz Sérgio Moro declarou na sentença que o réu, juntamente com seus aliados, apresentaram evidências de uma “ganância desmedida”, responsável, em parte, pelo estado falimentar em que se encontra o Estado do Rio de Janeiro.

Já no século XVII, o padre Antônio Vieira, com a sabedoria que lhe era própria, afirmou que “quem quer mais do que lhe convém, perde o que quer e o que tem.”

Ao longo da História, tal sentença mostrou-se, em diversas ocasiões, extremamente veraz.

Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler, dois líderes de suas nações, intentaram conquistar outros países europeus como forma de tornar a França e a Alemanha, respectivamente, dominadoras de amplas áreas continentais. Coincidentemente, fracassaram ao tentar invadir a Rússia, derrotados pelo “general inverno” e pela resistência encontrada por parte dos combatentes russos. Ambos tiveram um triste fim: Napoleão morreu no exílio, na ilha de Santa Helena, e Hitler suicidou-se em seu bunker, em Berlim.

No Brasil, vimos observando, nos últimos tempos, crimes financeiros, por parte de empresários e políticos desonestos, que se apropriaram de recursos públicos em benefício próprio e de seus familiares. A Operação Lava-Jato, iniciada há três anos e meio, vem desmascarando vários desses criminosos, encarcerando-os e confiscando os bens que lograram adquirir fraudulentamente.

Quem imaginaria, pouco tempo atrás, que pessoas como Marcelo Odebrecht, José Dirceu, Palocci e Eduardo Cunha, dentre outros, amargassem longos períodos de prisão, além de terem perdido o dinheiro ganho de forma desonesta ?

No  momento atual, o ex-presidente Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão por ter sido beneficiado ilicitamente pela OAS com um apartamento em um condomínio de luxo na praia de Guarujá. Além disso, responde a vários outros processos, todos eles vinculados a vantagens indevidas que obteve por favorecer a grandes empresários.

Em suma, a ganância desmedida é um caminho inexorável para a ruína e a desmoralização. Mais do que nunca, a sentença do padre Antônio Vieira é de uma atualidade impressionante.

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