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Olívio Martins de Souza Torres

Titular da Cadeira nº 8

Não pretendo fazer, aqui, uma crítica literária do maior poema épico da língua portuguesa, pois, para tanto, me faltam engenho e arte.

Desejo, dentre outros aspectos, registrar as semelhanças existentes nos primeiros versos de alguns dos grandes poemas épicos da humanidade.

Homero, o grego pioneiro da epopeia, inicia assim a Odisseia: Fala-me, ó Musa, do homem muito viajado...

Virgílio, poeta latino, O Cisne de Mântua, diz na Eneida: Arma virumque cano... Canto as armas e o varão...

Torquato Tasso, poeta italiano, em Jerusalém Libertada, proclama: Canto l’arme pietose e’l Capitano ... As armas canto e o capitão piedoso...

Camões, o maior vate português, em Os Lusíadas, anuncia: As armas e os barões assinalados... Cantando espalharei por toda parte.

Consoante se vê, há, de fato, similitudes na introdução destes grandes monumentos literários que o espírito humano foi capaz de criar.

Alguns veem nisto uma homenagem que os poetas posteriores quiseram prestar a Homero, o poeta maior, pai de todos os épicos.

Já outros enxergam um ligeiro plágio, pois, como já dizia o comediante latino Terêncio (O Eunuco, Prólogo, 4), Nullum iam dictum est quod non sit dictum prius, ou seja, Nada se diz que já não tenha sido dito antes.

O filósofo popular brasileiro Abelardo Barbosa, o Chacrinha, também  sentenciava, frequentemente, em seus programas de TV: “Nada se cria, tudo se copia”.

Cada um faça seu julgamento sobre essas semelhanças ocorridas nos poemas supracitados e daí tire suas ilações.

Analisando sucintamente o poema épico Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, apontam-se os seguintes números:

10 cantos;

1102 estrofes ou estâncias de oitava rima;

8816 versos decassílabos;

5.000 palavras utilizadas no poema inteiro.

Segundo uma antiquíssima lenda, foi Luso, filho de Baco, o fundador de um reino situado na parte ocidental da Península Ibérica, e cujo nome derivou do seu: Lusitânia. O termo Lusíadas – que significa povo de Luso – quer dizer, portanto, os portugueses.

A primeira edição de Os Lusíadas saiu em 1572 e o poeta dedicou a obra a El-Rei D. Sebastião. Camões recebeu a tença (pensão) anual de 15 mil réis, que lhe foi paga com irregularidade.

Os Lusíadas, que contam a saga da gente lusitana, constituem-se num dos grandes poemas épicos de todos os tempos, obra que, por si só, representa a literatura de um povo.

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