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Olívio Martins de Souza Torres

Titular da Cadeira nº 8

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), editado pela Academia Brasileira de Letras, elenca 381.000 palavras. Já o Dicionário Aurélio Online registra 435.000 verbetes.

É difícil alguém saber o significado de tantas palavras por mais que a pessoa tenha conhecimento do latim que originou a maior parte de nossas palavras, e também do grego, do tupi-guarani, do árabe, do inglês, do francês e de outras línguas que nos cederam palavras.

Recorro em minhas leituras constantemente ao dicionário.

A palavra constante do dicionário tem o seu significado isolado de um contexto. Ela pode ser usada quando necessário. A palavra isolada não constrange ninguém quando empregada, embora seja, às vezes, de baixo calão. Com a associação de palavras é que se deve ter cuidado. O emprego de certas palavras, em determinado contexto, pode levar alguém à Justiça, acusado, e.c., de racismo. Por isso é preciso moderação e cuidado no emprego das palavras. Argumentar que a palavra está no dicionário não é justificativa para que se possa fazer uso dela sem ferir as pessoas. Trouxe à baila, neste espaço, o caso de uma senhora que, na Internet (Facebook), reclamara de alguém do emprego da palavra "autista" ligando-a a apreciações de ordem vária, estigmatizando a palavra, sentindo-se ela ofendida por ter dois filhos autistas. Sua reclamação, por ser numa rede social aberta, diferente do GDI (fechada), ganhou espaço na mídia e o autor se desculpou. Mas a referida senhora não recebeu de Leandro Karnal o devido pedido de desculpa, pelo uso negativo também do mesmo termo, limitando ele a dar uma resposta evasiva. Talvez ele se julgasse o todo-poderoso por se tratar de renomado conferencista e professor universitário.

Quanto a mim, evito usar palavras como autista, esquizofrênico, microcefálico, anão etc, em comparações com fatos de qualquer natureza a fim de que pessoas que sofrem com os problemas de familiares portadores de tais doenças ou síndromes não se sintam atingidas, nem humilhadas e nem constrangidas. Sei que comparações, figuras de palavras ou de estilo enriquecem  o texto, mas devemos ter o devido cuidado para não melindrar ou humilhar as pessoas. A pessoa humana merece respeito em toda e qualquer situação. Merece respeito de todos mesmo daqueles que não professam qualquer credo, quanto mais dos que são ou se dizem cristãos.

A palavra é um dom que Deus, como diz Alencar, deu ao ser humano e recusou aos outros animais. Portanto, devemos fazer bom uso dela. Agora, a  quem dela quiser fazer mau uso NIHIL OBSTAT. Errare humanum est,  perseverare autem diabolicum, sentenciava São Bernardo.

Paz e Bem.

 

(José de Alenca, acerca da palavra)

A palavra, esse dom celeste que Deus deu ao homem e recusou ao animal, é a mais sublime expressão da natureza; ela revela o poder do Criador e reflete toda a grandeza de sua obra divina. Incorpórea como o espírito que a anima, rápida como a eletri-cidade, brilhante como a luz, colorida como o prisma solar, comunica-se ao nosso pensamento, apodera-se dele instantaneamente, e o esclarece com os raios da inteligência que leva no seu seio

 

 

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