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Abilio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

 

Bolsa Família

Antes de tratar do tema “Bolsa Família” irei ilustrá-lo com duas pequenas histórias.

  1. Certo dia, Pedro Trindade, um homem político e caridoso ganhou um prêmio na loteria. Tornou-se rico. Sem nenhuma visão empresarial passou a distribuir dinheiro para os familiares e para as pessoas mais próximas e necessitadas. Estes passaram a viver melhor na sombra do amigo milionário.

Os comerciantes que faziam parte do seu círculo de amizade foram, também, beneficiados com empréstimos em longo prazo e juros baixíssimos. Muitos deles, em razão da amizade, foram agraciados com a anistia.

Pedro Trindade ficou conhecido como o pai dos pobres.

O tempo foi passando e com ele a redução da gordura monetária adquirida, até que um dia, o velho Pedro, sem recursos, ficou impossibilitado de distribuir os auxílios costumeiros e já arraigados na vida diária de cada um daqueles moradores. O resultado foi o esperado: voltaram todos à miséria com exceção dos seus “amigos” inescrupulosos, que usaram desvairadamente o dinheiro recebido na aquisição de bens materiais: casas, carros luxuosos, fazendas, etc.

  1. O mesmo prêmio foi recebido por um pequeno empresário da cidade.

Este, de imediato, colocou os filhos no colégio, desenvolveu o seu comércio, abriu outros, criou indústrias, abriu algumas estradas para o escoamento sempre crescente dos seus produtos, resultando no emprego de milhares de moradores da cidade.

O resultado foi o crescimento da região, a redução do desemprego, a melhoria na qualidade de vida e o bem-estar da população.

 

 

O programa Bolsa Família

Com fundamentos concretos contestamos a política heterodoxa praticada pelo governo da presidente Dilma, assim como, sem medo, contestamos a pífia e perigosa política externa do seu governo.

Mas, convenhamos: Se não fora a política de inclusão social, assistencialista ou populista, o que seja, hoje, as grandes cidades nordestinas estariam invadidas pelo flagelo, como sempre ocorreu nos períodos de seca. É fato.

Acontece que essa política do programa Bolsa Família, além da existência latente do assistencialismo e do populismo eleitoral é perigosa por não existir a contrapartida do trabalho e, por conseguinte, a produtividade.

O Brasil, hoje, graças as reservas acumuladas nas exportações de “commodities” para a China, principalmente, possui perto de US$200 bilhões, mas que estarão se esvaindo dentro de dois anos conforme prenuncia alguns analistas econômicos.

E aí? Como ficarão as famílias do bolsa-família? Como ficará o governo?

A política da presidente Dilma foi errônea. Conseguiu, sem dúvida, tirar milhares de famílias temporariamente da miséria. Tornou-se a mãe dos pobres. Ganhou a eleição. Apostou no consumo ao invés de ter aplicado as suas fichas no apoio ao desenvolvimento das indústrias e da infraestrutura. O consumo é consequência. As indústrias estão passando por um momento jamais visto, exceção daquelas que foram aquinhoadas com bilhões de recursos extraídos dos nossos bolsos tendo como intermediário o bondoso Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES.

Concluindo: se hoje eu tivesse que optar sobre o programa Bolsa família, votaria incontinenti a favor, num período temporal, em razão da precariedade e da necessidade premente que passa, no momento, o nordestino, principalmente.

Mas, presidente Dilma: existe um caminho mais direcionado para o correto. Que o siga no futuro.

Aliás, aprendi que para ser um bom administrador, seja em que área, não é producente ser bonzinho, necessário que seja honesto, sensato e obediente aos princípios da administração pública.

Abílio, 8 jan 2015. 

 

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