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Cadeira n° 35

Professor, fazendeiro, agricultor, advogado, promotor público e parlamentar, nasceu a 17 de abril de 1856, no município de Ipu.

Como professor, dirigiu no Ipu, o “Colégio Sete de Setembro”, que contava com um corpo discente de 80 alunos e decente de 5 professores, nos anos de 1901/1902.

Como político, iniciou sua carreira em São Benedito, elegendo-se Deputado Provincial para o biênio 1888/1889, sendo o deputado mais votado no 1º Distrito. Na Capital do Estado foi eleito 2º Secretário da Assembleia Provincial, cabendo-lhe nesse caráter lavrar as atas das respectivas sessões. Apresentou inúmeros projetos, quase todos convertidos em lei. Inclusive o que elevou a cidade a vila de Camocim: um trecho do termo de Sobral passou para o de Campo-grande; traçou novos limites entre Campo-grande e S. Benedito; conseguiu, à pedido do Monsenhor Albano, a aprovação do Código de Posturas da Comarca de Maranguape; um auxilio de 200$ reis a cada Gabinete de Leitura que mantivesse aula noturna, etc.

Privou da amizade do ilustre filósofo e homem público, Dr. Farias Brito, que muito o distinguiu. Fez parte da comissão da Assembleia que acompanhou o Conde D`eu a bordo, na despedida de sua visita ao Ceará.

Nessa fase exerceu também atividades jornalísticas na imprensa da Capital, interpretando o pensamento do seu partido. Também foi assíduo colaborador dos jornais de Sobral.

Após a proclamação da República, embora aceitando o novo regime, dedicou-se principalmente à advocacia, em toda a zona norte do Estado, firmando uma reputação ainda relembrada pelo brilhantismo com que defendia suas causas.

Nos últimos anos de sua vida entregou-se mais às atividades da fazendeiro e agricultor, concentrando-se mais na leitura das obras de sua biblioteca, boa parte da qual em francês. Ainda assim, exercia advocacia consultiva, sempre visitado por amigos e admiradores de seu talento como intelectual e jurista. Optou por prestar mais favores e serviços a amigos e conterrâneos, do que acumular bens materiais em proveito próprio.

Faleceu em Palma (atual Coreaú) em 17 de junho de 1927, aos 71 anos, cercado do apreço e consideração de seu vasto círculo de relações.

Em expressivos necrológios, a imprensa de Sobral e de cidades vizinhas noticiou o seu desaparecimento, exaltando seus dotes de intelectual e de homem de espírito e de caráter.

Escreveu um livro de memórias, ainda inédito, relatando acontecimentos e episódios que presenciou ao longo de sua trajetória, obra de significativo interesse para a reconstituição dos cenários da época.

Casou-se com AutaCorata Mello de Marrocos, e, enviuvando em 1916, matrimoniou-se em segundas núpcias com Déia Aretusa Angelim Marrocos, falecida em 1º de fevereiro de 1998.

Dos dois casamentos deixou numerosa descendência, hoje disseminada por diversos estados do país.

 

Dados biográficos coligidos por

Antonio e Francisco Marrocos de Araújo

.Rio de Janeiro, 09/03/1983

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