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Abilio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

Iniciando este pequeno e sutil comentário, afirmo, de pronto, que a felicidade está nos mais variados pontos do nosso caminho terrestre, assim como a tristeza.

Embora sejamos movidos pela busca desta felicidade, ela nunca estará permanentemente ao nosso lado. Seria uma utopia pensarmos na felicidade plena.

Estejamos, pois, preparados para, na sua ausência, sabermos conviver com momentos inesperados e tristes que se apresentam nesse caminho incerto.

Engana-se quem pensa que aquele que possui carros, casas e dinheiro é feliz.  Não. Essa pessoa está em um estágio desesperador da competição, de querer sempre mais. Está, geralmente, infeliz com o sucesso do seu competidor.  

Aliás, o homem tem por princípio desejos ilimitados. É este, infelizmente, o conceito capitalista da felicidade. Ter. Nunca se contenta com as necessidades básicas.

Entretanto, comprovadamente sabe-se que uma das coisas que nos traz imensa felicidade é fazer bem ao próximo, procurar crescer espiritualmente e viver dignamente, sem esperar elogios e sem o medo ou o receio das críticas. É estar em paz consigo, principalmente no ambiente familiar.

Há mais de 2 mil anos o filósofo grego, Aristóteles, afirmava que a felicidade se atinge pelo exercício da virtude e não da posse.

O folclore conta que certo dia um grande empresário ao se encontrar com um colega, também muito rico, assustou-se ao vê-lo em lágrimas. Indagado sobre aquela situação, o colega respondeu-lhe que estava no ápice da sua riqueza, possuía tudo o que imaginara e que a tendência era estagnar ou regredir.

Mais à frente o mesmo empresário se depara com um miserável mendigo às gargalhadas. Perguntado sobre aquela felicidade, este responde que vive na miséria das misérias e que a tendência é estagnar ou, quem sabe, melhorar um dia.

Todos nós temos, nos caminhos da vida, as nossas felicidades.

Procure-a e viva intensamente.

 

Abilio, 29 jan 2017

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