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Abilio Lourenço Martins

Titular da Cadeira nº 12

Titular da Cadeira nº 11

Titular da Cadeira nº 11

E agora?

Onde está o tempo que não veio?

O Sol que não apareceu?

A chuva acabou....

A seca chegou...

A chuva não se revelou.

Onde está todo mundo?

O rio secou.

A estiagem surgiu...

E agora?

Meu Deus! E a chuva?

Há nuvens no céu.

Talvez um sinal.

O caboclo correu...

Correu?

Para onde?

Não sei.

Chegou a hora.

A hora de que?

Por que essa hora?

A hora da fome.

Fome?

E agora?

Comida!

O que é isso?

 É mania?

Não. É agonia.

E agora?

Agora não sei.

Onde está todo mundo?

Fome.

Somente fome.

E agora?

Agora não sei.

 Onde está todo mundo?

Fome.

Somente fome.

E agora?

A família?

 As famílias....  O pai? A mãe? Os filhos?

Migalhas.....  Migalhas.... Migalhas...

Um pedaço de pão, um pouco de feijão.

E o  mundo? O mundo parece que acabou....

Titular da Cadeira Nº 09

Titular da Cadeira nº 34

Titular da Cadeira Nº 15

O Ipu dos anos 40 era uma cidade com cerca de 20 mil habitantes. Pacata, tranquila, meio preguiçosa, com o trânsito quase inexistente, sem assaltos, sem drogas etc.

Uma ocorrência policial qualquer era motivo de comentários em toda a cidade. E as pessoas caminhavam noite adentro de um bairro a outro como se fossem nos corredores de suas residências.

Além das sessões cinematográficas do Cine Moderno, a distração era ouvir as amplificadoras nas bocas de noites e as conversas nos cafés da cidade. Nos bares os bate papos também existiam, o Bar preferido era O Cruzeiro.

 Nos bancos das avenidas os encontros também existiam o que era bem mais aprazível.

As conversas durante a noite, à luz da lua, nos aconchegantes "Fícus Benjamim", que vez por outra acenavam ao embalo da brisa, saudando o devaneio dos retardatários que somente depois da meia noite e já mesmo pela madrugada chegavam a casa. Era uma constante no nosso meio, pois a felicidade era quase completa.

No Ipu não existia estação de Rádio, apenas as amplificadoras que traziam para o público de uma cidade bucólica os truques de um veículo despertando o imaginário do ouvinte ipuense como num ritual que hoje se repete no rádio na televisão. As pessoas se reuniam em determinados locais para o deleite das músicas nas amplificadoras.

A Pioneira da cidade foi à amplificadora do Padre Caubí, com os estúdios localizados no Cine Moderno, os alto-falantes eram espalhados por toda cidade. As transmissões eram feitas ao vivo e os discos eram de cera, em 78-RPM, e a cada execução a agulha era trocada, de modo que haja, estoque de agulhas. Eram caixas e mais caixas. Lembra o operador - locutor “Chico do Padre”.

Os aniversariantes do dia eram despertados pela madrugada com bonitas músicas na fase áurea de Orlando Silva, Silvio Caldas, Augusto Calheiros e outros tantos. Seguiram-se várias outras. A Vos de São Sebastião da Igreja; a Voz da Casa Pontes, que anunciava os produtos da loja; os produtos eram confecções e tecidos; A Voz da Liberdade, localizada nos altos da antiga Prefeitura; a Voz Ipuense de Nonato Ferreira; a Voz da Cidade do Iracema que ainda hoje existe. Não esquecendo as amplificadoras provisórias dos parques de diversões. Por cada aviso ou mensagens musicais, eram cobradas uma certa quantia.

O locutor levava ao ar a mensagem de amor, sempre destacando: "esta música vai para um alguém, que outro alguém que está do lado de cá da avenida, oferece para seu amor que está do lado de lá da avenida apaixonadamente”.

Os outros programas seguiam-se com música do ouvinte para ouvinte. Músicas para sonhar e amar e muitos outros.

Os locutores eram: Pedro Teles, Dadi Marinho, Chico do Padre, Nonato Ferreira, Sebastiãozinho, Paulo Soares e outros.

Vivemos hoje uma época mais moderna. São duas Rádios AMS que difundem as suas programações em toda Região.

Existem ainda outras Rádios Comunitárias que servem para os bons avisos e transmissões dos atos religiosos da Igreja Católica e outros mais.

Os locutores são mais aperfeiçoados com cursos de locução e de comunicação.

As amplificadoras marcaram épocas inesquecíveis na nossa cidade.

 

Titular da Cadeira Nº 34

           Não sei explicar o porquê tenho predileção por elas. Mantenho fascínio, desde que estejam acesas. A lembrança mais remota que guardo de velas acesas é a dos muitos meses de maio de criança na Fazenda Campo Nobre em Tamboril. Ali, aonde passávamos os invernos para nós, meses chuvosos para as ciências, minha mãe cultuava o mês de Maria e fazia procissões todas as noites, andando pelas veredas de casa em casa com a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Esta prática ligava-se as atividades de Filhas de Maria. Minha mãe era um delas, com fita azul e missal desde os tempos de Monsenhor Gonçalo.

            É muito viva em minha memória a imagem de todos carregando velas acesas pelas veredas atrás do andor. Energia elétrica não existia ali. A mais alta tecnologia era uma “Petromax” pendurada na sala como se fosse um lustre. Sair de casa à noite? Só com lanternas que também eram tecnologia de ponta. Para acompanhar o andor? Muitas velas. Velas e mais velas com mangas de papel. E saiamos de uma casa a outra cantando benditos a Nossa Senhora, atrás do andor.

            Todos os moradores participavam e recebiam o andor por um dia em suas casas. Uma festa só. E andávamos e andávamos. Para o meu tamanho as casas eram sempre muito distantes umas das outras. Meu pai, inteligentemente e reproduzindo a Idade Média em pleno século XX, mandava construir casas em pontos estratégicos da fazenda. Na entrada de passagem, havia uma casa em cada cancela e as demais nos pontos extremos da fazenda.

            Campo Nobre nos primórdios da colonização daquele sertão, chamou-se Junco. Eram os tempos de Ana Alves Feitosa que por ali chegou com o marido o Capitão Luis Vieira de Sousa (2º) como sesmeiros em 1722 das ribeiras do alto Acaraú. Antônio Solon de Farias e Silva dois séculos depois começou a comprar gleba por gleba dos muitos e muitos herdeiros, todos seus parentes pois ele e sua mulher Maria Farias Sales descendiam do casal colonizador.

            Deste modelo de sociedade feudal e do retalhamento das terras entre os muitos descendentes surge o dito popular: “pais ricos, filhos pobres, netos nobres”. Acho que fazemos parte do último segmento ou não. Campo Nobre tem 3 km de extensão no sentido norte/sul por 1 km e meio no sentido leste/oeste, ao pé do Bico d’Arara, serrote do semiárido tamborilense.  

            Imaginem! Nos meses de maio percorríamos toda esta extensão de norte a sul de leste a oeste até aonde existia uma casa, carregando o andor, cantando a Nossa Senhora e todos com velas acesas a mão, para iluminar os caminhos. Chegando-se a casa do morador que recebia a imagem rezava-se o terço e outras orações do breviário das Filhas de Maria. Nas salas das casas um altar apropriado para receber a imagem. Lamparinas em todos os cantos e velas no altar, muitas velas. Não sei onde minha mãe arranjava tantas velas, mas as maiores ela mesma fabricava e muitas delas coloridas. Lembro-me do fabrico das velas para o mês de maio. Começava cedo, ainda em Ipu, durante o mês março. Juntava latas de óleo Pajeú, que serviam de formas e as velas maiores eram do tamanho da lata e outras menores.

            Talvez venha daí a minha grande paixão por velas e velas acesas. Tenho muitas em minha casa das mais variadas cores e tamanhos e acendo todas, praticamente todos os dias. Lembrem dos meses de maio! Amo velas. Velas acesas, flamejantes, fulgurantes, indicando caminhos de luz.

            Velas. Acesas. Iluminando. Indicando caminhos. Sinal de Deus? De eternidade? Símbolo divino? Não sei, mas sei que a vida tem me ensinado: quem dá luz recebe luz.

Coco, 20/09/2017.

Titular da Cadeira Nº 34

No desempenho legítimo de ipuense e no desempenho posterior de turismólogo venho relatar fatos sobre turismo rural e sobre extratos culturais de nossas plagas.

            Não é só o distrito sede que produz história e cultura. O Município como um todo também o faz. Ah! E como produzem! E como fazem! Flores, Fazenda Marruás. Para os leitores Flores é distrito de Ipu, no Ceará, desde muito tempo. Marruás fazenda em Flores desde alguns séculos. Quem está lá? Desde algumas centúrias os Torres. Desde alguns decênios o Sr. Milton e Dona Socorro. Torres, certamente.

            E o Zé Gavião? Acoitado pelo Sr. Milton e D. Socorro ali esteve, ali morou e fez vida. Ali reinou. E a bodega? Do Zé Gavião, ativa, frequentada, vivida. E Zé Gavião firme, sempre prestigiado. Vendia o quê? O que se vende em todas as bodegas e também uma caninha para os mais sedentos.

            Pois a bodega do Zé Gavião hoje é atrativo para o Turismo Rural na Fazenda Marruás. Zé Gavião foi feliz com sua bodega. Que coisa boa, vender na bodega, tomar uma e vender outras mais.

            Quando concluí a 8ª Série do 1º Grau em Ipu, não havia ali como continuar os estudos, pois nos anos 70 a escolaridade então só ia até a conclusão do que hoje é o ensino fundamental. Logo meu pai me disse: “ou vai para Fortaleza continuar estudando ou fica aqui. Se ficar aqui há duas coisas que pode fazer: vai ser bodegueiro ou cachaceiro.” Fui para Fortaleza, nunca tive habilidade para vendas. Estudei e me tornei professor. Mas... até hoje não deixei de sentir saudades imensas de nossa Ipu. Pasmem! Não virei bodegueiro e nem cachaceiro, mas gosto muito de uma ou umas, daquelas que tomamos na bodega.

            Quem foi Zé Gavião? Sei que morou em Marruás e sei que teve uma bodega. Como seria? Como era? Sei que hoje o Gavião é importante. Já morreu. Em que ano, mesmo? Zé Gavião por quê? Pois vou contar-lhes.

            Gavião chamava-se José Rodrigues de Sousa e nasceu na Serra das Matas, em Tamboril a 15 de setembro de 1928. Aos 15 anos chegou na Fazenda Marruás em companhia do pai, Chico Gavião (a alcunha vinha de longe). Eram tampos escassos e foi acolhido pelo Sr. Manoel Félix e D. Ana Torres de Freitas. Gavião foi ficando e foi ficando até casar-se com Joelina Ribeiro e tiveram 13 filhos. Quase povoaram sozinhos os sertões de Flores. Trabalhou na Marruás até sua aposentadoria em 1988 quando segue para morar em Brasília. Ali não adaptou-se voltando logo para o Ipu pois tinham uma casa de morada na rua dos Canudos. Também não gostou e voltou para Marruás.  

            Ao retornar de Brasília descobriu uma forte diabetes e um começo de cegueira oriunda da diabetes. Bem antes deste fato o Sr. José Milton Rodrigues Torres construiu, ao lado de sua casa da fazenda, uma bodega, mas somente 12 anos depois a bodega se efetivava. Foi neste período em que Zé Gavião estava triste com sua doença que o Sr. Zé Milton abre a bodega para ocupa-lo e sentir-se útil e assim foi até sua morte. Em 1994 a cegueira se agravou e se instalou definitivamente. Mesmo assim segue atendendo na bodega com a ajuda de D. Socorro que prometeu que cuidaria dele até o fim. Assim, foi. A bodega era prestigiada e Zé Gavião atendia a todos com alegria sentindo-se útil. Morreu em Ipu a 28 de julho de 1998.

            Para mim uma autoridade. Teve uma bodega e hoje, mesmo depois de morto tem outra com leitura atual, atendendo ao Turismo Rural. A Fazenda Marruás é celeiro de histórias, de cultura e atrativos. O primeiro deles foi o Museu Frei Aquino, idealizado por este frade de grande sensibilidade que começou a juntar peças que contam a história do sertão e da fazenda. São mais de 300 peças em exposição na casa grande bicentenária da família. Como religioso construiu uma capela em estilo romântico e ali celebrava sempre quando estava na Fazenda. Construiu também uma hospedaria, ao estilo franciscano, onde os hóspedes repartem a experiência da hospedagem comunitária. Tudo de acordo com a simplicidade de uma fazenda. Frei Aquino quis ser enterrado na Marruás e ali repousa na Capela de Nossa Senhora da Conceição, construída por ele. Outro atrativo da fazenda.

            A Fazenda Marruás conta com estes atrativos além da ordenha de vacas e da feitura do queijo de coalho feitos com maestria por D. Socorro. O turista desfruta de tudo isso e agora também da Bodega do Zé Gavião, com outra leitura, gêneros não vende mais pode-se comprar o doce de leite, o queijo de coalho, a rapadura, tibumgos de barro, artesanato e o mais inusitado, peças de artes produzidas por uma artista plástica da casa, Klaudiana Torres. Telas e aquarelas, todas retratando a vida da fazenda.

            Uma bodega para o Turismo Rural. Vende cana? Vende sim, uma ou duas doses, não dá lucro. Dá prazer e alegria pra quem se aventura pelo Turismo Rural no Ipu. Na Fazenda Marruás, um lugar ímpar que teve a “gulora” de conhecer e ter Zé Gavião. E a fazenda conta hoje de novo com a bodega com leitura nova, repaginada, mas com todo o requinte de uma bodega. Bodega do Zé Gavião. Fazenda Marruás. Ah chão abençoado!

            É bom demais tomar uma ou umas em pé no balcão do Zé Gavião! Vá lá. Experimente esta experiência rara que só acontece na Fazenda Marruás.

Coco, Julho de 2017.

 

 

 

Titular da Cadeira Nº 34

Maria de Lourdes Mozart Martins Moura

Titular da Cadeira nº 11

Titular da Cadeira nº 2

Sebastião Valdemir Mourão

Titular da Cadeira nº 2

Sebastião Valdemir Mourão

Titular da Cadeira nº 2

Eventos

11Nov
11/11/2017 4:00 pm - 6:00 pm
9Dez
09/12/2017 10:00 am - 12:00 pm

Reflexões

  • Perfeição

    “O primeiro passo para quem quer ser o melhor é aceitar os seus limites.   O nível de exigência dos perfeccionistas não permite que eles reconheçam quando falharam.   Errar parece assustador.  O melhor é...

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